A minha cabeça consegue girar mais que tudo nesse momento.
É o meu mundo que eu quero que pare. É essa confusão que eu quero que se desfaça.
Você pensa, até pouco tempo, que tem a situação sob controle até se dar conta de que está enganada. As idéias não se encaixam mais, e tudo gira cada vez mais rápido. Parece que nada faz sentido e você se pergunta como as coisas tomaram esse rumo. E para isso só existe uma resposta: porque você fez sua escolha; porque você permitiu que a situação evoluísse. Agora é aguentar as consequências.
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
(Ferreira Gullar)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
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3 comentários:
Aii, eu acho linda essa divagação de Ferreira Gullar.
Sobre a sua postagem, o que eu tenho para dizer é exatamente uma coisa que ouvi ontem: nós, mulheres, retemos informação demais. E isso cansa...
O problema está em ser mulher, e disso a gente não vai se livrar nunca...
"Uma parte de mim almoça e janta, outra parte se espanta."
De versos coloquiais e aparentemente banais nascem as palavras que nos falam mais de perto, esse é o dom da poesia. Pra bem poucos, é verdade.
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